A procura por experiências internacionais mais completas passou a orientar as escolhas de quem planeja uma temporada fora do Brasil. De acordo com a pesquisa Selo Belta 2026, realizada pela Brazilian Educational & Language Travel Association (Belta), vivenciar uma experiência capaz de conciliar estudo, trabalho e turismo aparece como o principal objetivo para investir em intercâmbio, à frente do sonho de conhecer países e culturas diferentes e do interesse em aprimorar idiomas.
O levantamento ouviu 2.271 estudantes, entre pessoas que já fizeram intercâmbio e interessados no tema, além de 74 empresas do setor, que representam 590 pontos de venda, entre fevereiro e abril de 2026. Entre os estudantes, o curso de idioma com trabalho temporário é a modalidade mais desejada, citada por 25,8%. No ranking de destinos mais procurados nas agências, os Estados Unidos ocupam a segunda posição, atrás apenas do Canadá.
Nesse cenário, o trabalho em acampamentos de verão norte-americanos se apresenta como uma das formas de reunir essas três dimensões em uma única viagem. A tradição dos summer camps faz parte da cultura dos Estados Unidos, país com mais de 14 mil acampamentos, segundo dados da American Camp Association (ACA). É nesse ambiente que atuam os participantes do Camp Counselors USA, programa oferecido pela Intercultural, especialista em intercâmbio, voltado a jovens de 18 a 35 anos com inglês ao menos intermediário, contratados como monitores por nove a 11 semanas, com moradia e alimentação fornecidas.
Para Marina Jendiroba, diretora-executiva da Intercultural, alguns fatores explicam o interesse por esse formato, e o mercado de trabalho aparece à frente. "O primeiro deles, sem dúvida, é a valorização dessas experiências em currículos, para a construção de futuras carreiras. Muitos empregadores buscam profissionais que já tenham passado por essas experiências, que denotem flexibilidade, capacidade de adaptação, conhecimento e valorização do diferente, tornando estes profissionais mais aptos a lidar com as dificuldades do dia a dia", afirma.
A executiva acrescenta que quem participa desse tipo de vivência tem ganhos maiores no idioma e em repertório cultural ao conviver com pessoas de diferentes nacionalidades. O aspecto financeiro também pesa na decisão. "Ao trabalhar e receber compensação por este trabalho, a experiência se torna mais barata, pois você consegue de volta parte do dinheiro investido no intercâmbio", explica.
O ponto dialoga com a própria pesquisa da Belta, na qual as agências listam a desvalorização do real e a redução do poder aquisitivo entre os principais fatores que dificultaram as vendas, enquanto a possibilidade de conciliar estudo e trabalho aparece entre os que favoreceram a comercialização.
Rotina intensa e imersão no inglês
Os monitores podem acompanhar grupos de crianças e jovens ou ensinar atividades como artes, música e esportes. Segundo Marina, o maior desafio costuma estar na rotina. "Em regra, a adaptação à rotina de trabalho é a mais desafiadora, porque é um trabalho com crianças e adolescentes, que requer energia, paciência e capacidade de adaptação", observa.
Ela pondera que as acomodações costumam ser simples e que a diferença na alimentação é logo percebida, mas destaca o retorno no idioma. "A compensação vem com uma melhoria muito rápida no entendimento do idioma, pois o convívio com americanos e também counselors de outras nacionalidades obriga a comunicação praticamente só em inglês", diz a diretora.
Habilidades voltam na bagagem
De acordo com a especialista, a experiência estimula competências valorizadas tanto na vida pessoal quanto na profissional, "como a liderança, resolução de conflitos, capacidade de adaptação, convivência em grupo, com culturas diferentes, jeitos diferentes de ensinar". Ela cita ainda os laços de amizade formados entre a equipe e os campers.
A convivência com monitores de outros países também amplia a percepção sobre a própria identidade. "Ao conviver com counselors de outras nacionalidades, nota-se muito claramente a diferença de criação, personalidades etc., valorizando ainda mais a cultura brasileira e as nossas raízes. É muito comum que os participantes voltem falando do quanto viveram em ‘um sonho’", relata a diretora-executiva.
O que avaliar antes de embarcar
Para quem considera o programa, a porta-voz da Intercultural orienta que a preparação comece pelo entendimento das responsabilidades envolvidas. "A seriedade e o comprometimento com o trabalho devem ser a prioridade. Porém, isso não impede que a diversão esteja muito presente no dia a dia", pontua. No campo prático, ela recomenda montar um application que evidencie habilidades e experiências. "Se você é bom num esporte, numa atividade artística, se sabe ensinar essas atividades, tudo isso conta", complementa.
Marina também menciona o nível de inglês, necessário para interagir com crianças, colegas e chefes, além da atitude positiva, da capacidade de liderança e do espírito de equipe. "E saber que você representará o seu país num ambiente que não é o seu, mas que você tem toda a possibilidade de enriquecer com a sua cultura, enquanto absorve a cultura americana", conclui.
Os números da Belta indicam que o setor deve seguir em expansão: 72,9% das agências esperam crescimento em 2026, depois de um ano em que o segmento movimentou cerca de R$ 7 bilhões. Nesse contexto, modalidades que combinam trabalho remunerado, prática diária do idioma e convivência multicultural, como os acampamentos de verão, se colocam como alternativa para jovens que buscam no intercâmbio uma etapa de formação pessoal e profissional.
Para mais informações, basta acessar: https://www.intercultural.com.br/
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